Porquê eu?

- cancrodamama.com

A aceitação de uma doença potencialmente fatal é extremamente difícil. Para mais, a maior parte das pessoas pouco ou nenhum treino têm no conselho a dar aos que sofrem de doenças terminais.

A cólera, o azedume e o medo são muitas vezes a primeira reacção a um diagnóstico de cancro. Não obstante, verifica-se muitas vezes uma progressão da recusa para a cólera, para a depressão e, por fim, para a aceitação. Os estudos de Eliza­beth Kübler-Ross documentam estas fases diferenciadas.

Sucede muitas vezes que o sentimento de amargura do doente não é levado em conta pelas outras pessoas. Se é certo que a família e os amigos pressentem o azedume, a verdade é que, a maior parte das vezes, ignoram a melhor forma de fazer a aproximação da pessoa. Às vezes, os entes queridos tentam ajudar o doente a reprimir as emoções desagradáveis, e, ao procederem assim, acabam por dificultar a comunicação posterior; noutros casos, a família e os amigos têm receio de falar sobre o estado em que se encontra.

Claro que é importante que o doente seja capaz de exprimir cólera, pois trata-se de uma reacção normal e compreensível.Ora, suprimindo-a, a cólera pode transformar-se em depressão grave.

Muitos doentes conseguem ultrapassá-la e chegar a um estado de aceitação: acabam por compreender que, embora o seu tempo seja limitado, podem ainda usar o que lhes resta. E, algumas vezes até, decidem-se a gozar os últimos tempos da sua vida da forma mais completa de que são capazes.