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Os estudos epidemiológicos sobre os efeitos do tabagismo no que respeita ao risco do cancro da mama apresentaram, até ao momento, resultados contraditórios. Um estudo recente com base genética apresentou uma hipótese possível para isso: uma deficiência enzimática hereditária.

O facto de muitas pessoas serem homozigóticas para a deficiência em N-acetiltransferase 2 (NAT2) foi descoberto quando a isoniazida começou a ser utilizada no tratamento da tuberculose, no início dos anos 50. Aproximadamente metade de todos os indivíduos de raça branca a quem era administrada isoniazida excretava um metabolito acetilado devido ao facto de apresentarem uma deficiência nas enzimas acetiladoras. Estes denominados acetiladores lentos evidenciavam uma incidência muito superior de nevrite secundária à isoniazida do que os acetiladores rápidos, o que sugeria que o metabolismo mais lento destes compostos podia ter efeitos sistémicos à distância. O risco de cancro da bexiga, por exemplo, é aumentado pelo tabagismo, o qual é responsável pela produção destes compostos. Alguns investigadores admitiram a hipótese de que isto pode estar associado à incapacidade dos acetiladores lentos para eliminarem as aminas aromáticas.

Sabe-se agora que a NAT2 actua sobre numerosos carcinogénios, incluindo os da carne cozinhada e do fumo do tabaco. Um estudo controlado analisou recentemente a possibilidade do estado da NAT2 poder influenciar a susceptibilidade das mulheres para o cancro da mama. Os investigadores afirmaram que as mulheres pósmenopáusicas de raça branca que são acetiladoras lentas NAT2 apresentavam realmente um risco aumentado, o mesmo não acontecendo com as mulheres pré-menopáusicas ou com as acetiladoras rápidas. O risco mais elevado estava associado à intensidade, e não à duração, dos hábitos tabágicos e ao tabagismo numa idade muito jovem. Os investigadores sugeriram que a capacidade mutagénica das toxinas do fumo do tabaco pode ser mais marcada durante o período de desenvolvimento mamário.

Alguns estudos iniciais sugeriram que o tabagismo poderia, através dos seus efeitos anti-estrogénicos, diminuir mesmo o risco de cancro da mama. Embora este estudo não possa ser considerado conclusivo, a hipótese pode ajudar a explicar a susceptibilidade genética. Os autores também consideram que os seus achados fornecem ainda outra razão para todas as mulheres, independentemente do seu estado em relação à menopausa, deixarem de fumar.

- Cancro da Mama